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Pró-Labore ou Distribuição de Lucros?

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Muitos empresários já me perguntaram neste canal qual a diferença entre Pró-Labore e Distribuição de Lucros e também qual o percentual que devem destinar ao pagamento de pró-labore.

O pró-labore é o salário que o proprietário recebe por trabalhar ou cuidar administrativamente da sua empresa e a distribuição de lucros seria à remuneração do investidor, quer ele trabalhe ou não na organização. A distribuição de lucro objetiva compensar o sócio investidor por ter investido seu capital na farmácia e consequentemente ter assumido os riscos do empreendimento.

“A divisão dos lucros deve ser proporcional à parcela de cotas que cada sócio tem definida em contrato social”, portanto, não havendo lucro, não há pagamento de dividendos, ou seja, não há remuneração do investidor.

Diferentemente do pró-labore, não incide Imposto de Renda ou contribuição previdenciária sobre a distribuição de lucro e esta é uma das razões pela qual alguns gestores preferem ter um pró-labore mínimo, para receber maior parte desse salário junto a sua parcela do lucro afim de não pagar estes impostos.  Obs.: não se trata de sonegação, mas de artificio legal a luz da legislação.

Para lançar o pró-labore na divisão do lucro a empresa deve ter uma contabilidade extremamente bem-feita, pois, é preciso comprovar por meio de cheques emitidos pela pessoa jurídica e depositados em nome da pessoa física e a escrituração contábil precisa discriminar claramente, o que é remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social.

A farmácia deve apurar a DRE (Demonstração de Resultados do Exercício) e fazer o balanço patrimonial mensalmente (somente para empresas fora do simples nacional). Já a empresas no simples nacional deverão apurar o saldo contábil através do famoso livro caixa. Estes documentos mantém a contabilidade em dia e são a segurança necessária para se fazer a distribuição do lucro, caso ele exista. Esse pagamento aos sócios precisa ser escriturado nos livros contábeis — diário e razão (fora do simples) e livro caixa para empresas fora do simples — e, além disso, recomenda-se que seja feito um documento à parte, demonstrando a distribuição de dividendos e resguardando a empresa em caso de fiscalização.

É preciso ainda estar atento ao regime tributário que a empresa está enquadrada, pois, a isenção do Imposto de Renda sobre os dividendos é condicionada a um limite máximo.

E você pode até me perguntar: Cadri, qual percentual destinar ao Pró-labore?

Para determinar o pró-labore o empresário precisa antes de tudo, verificar quanto as despesas fixas e variáveis somadas representam em média da sua venda bruta. Atualmente a média para drogarias convencionais é de 22 a 28% da venda bruta, drogarias populares de 17 a 20% e farmácias com manipulação podem variar de 40 a 50%. Outra dica importante é lembrar que o pró-labore corresponde a remuneração que um profissional neste mercado percebe para gerir uma empresa do porte da sua.

Portanto, seu pró-labore não pode afetar estes parâmetros. Além disso é preciso se preocupar nos últimos anos que precedem a aposentadoria para ter uma remuneração equivalente ao valor pago mensalmente de pró-labore que irá ser recolhido o INSS.

Para exemplificar isto claramente a você, vou deixar um presente logo abaixo: Um arquivo em PDF para você baixar, que mostra um exemplo de um plano de contas de uma farmácia. Dessa forma poderá ter como parâmetro para auferir o percentual correto de Pró-labore a ser destinado ao sócio. Basta clicar, cadastrar o seu email (e confirmar se for solicitado na tela). O arquivo aparecerá logo em sequência para você baixá-lo.

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Ficou alguma dúvida sobre esse tema? Então vamos conversar. Faça o seu comentário logo abaixo que eu responderei.

Cadri Awad é Diretor de Cursos do Instituto Bulla, Farmacêutico com Habilitação em Farmácia Industrial, MBA em Gestão Avançada de Varejo Farmacêutico e cursando MBA Executivo em Liderança e Gestão Empresarial. Viajando por todo o Brasil, Cadri já qualificou mais de 5000 empresários de Pequenas e Médias Drogarias para a aplicação da metodologia avançada de Gestão Farma.

11 Comments to Pró-Labore ou Distribuição de Lucros?

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  1. cadri tenho muitas duvidas nao so essa a primeira e

    acabei de abrir minha drogaria aqui em ribeirao preto fiz o primeiro fechamento o mes passado e fiz um fechamento gerencial e nao contabil coloquei no fechamento apenas o que paguei no mes corrente nao tiro nenhum centavo da farmacia ainda quando consigo começar a fazer retiradas sera que posso ter como parametro esse percentual de drogaria convencional?

    gostaria de saber se tem como entrar em contato com voçe on line pgando mensalmente ou avulso….

    • Fábio,
      Nós do Instituto Bulla não cobramos nenhum valor para dirimir dúvidas de quem nos solicita. Você pode enviar dúvidas através deste canal ou se for algo que deve ser tratado de forma particular para meu e-mail: cadri@institutobulla.com.br ou telefone: 62 3932-4140. Temos também um time de especialistas com quem Você pode conversar na minha ausência. Atualmente também temos uma ferramenta muito interessante que é o nosso treinamento online de gestão de farmácias/drogarias. Através deste treinamento Você assiste aos vídeos completos de gestão e ainda pode solicitar o esclarecimento de dúvidas através do serviço de tutoria online. O link é: cursos.institutobulla.com.br

  2. RUBENS GAMA RIBEIRO

    Olá CADRI!

    Estive recentemente com vc em FORTALEZA, no CURSO DA TEUTO, na FORTES DISTRIBUIDORA.
    Bacana sua abordagem! Sai de lá mais confiante de que estou no caminho certo! Preciso ainda de alguns ajustes no nosso sistema para alcançarmos os resultados, esperados.
    Quanto a esse ARTIGO, é bem comum entre nós, A POLÍTICA DE RETIRAR TUDO DA FARMACIA PARA “PAGAR DESPESAS PESSOAIS” Isso é um erro! Eu já faço a retirada do PRÓ-LABORE, a bastante tempo. E NÃO “MISTURO” O MEU DINHEIRO COM O DA FARMÁCIA!

    Agradeço por mais esse incentivo!!

    Grande Abraço,

    Rubens Gama

  3. Olá Cadri,

    Parabéns pelo seu trabalho!

    Como devo encontrar o % das despesas – deve ser sobre a receita bruta ou sobre a receita líquida depois de descontos os descontos e devoluções? Já li alguns artigos na área contábil citando a receita líquida como base para a representatividade das contas e aqui vejo você falar sobre a receita bruta.

    Como devo proceder?

    Feliz 2016!

    Abraço,

    • José,
      Diferente de outros ramos do varejo, no caso do varejo farma, existe uma regulamentação especial que define tabelamento de preços para os medicamentos. Por esta razão quando compramos, obtemos descontos sobre o preço de custo oficial (Preço Fábrica) e quando vendemos, concedemos descontos sobre o Preço de Venda oficial (Preço Máximo ao Consumidor). Tudo o que fazemos numa farmácia é balizado pelo preço fábrica e Preço Máximo ao Consumidor. Sendo assim, quando efetuamos um Demonstrativo de Resultados Financeiros começamos pela Venda Bruta (ou seja, total vendido a Preço Máximo ao Consumidor) e a partir daí é que comparamos o percentual médio concedido de descontos, o tamanho do C.M.V. e o quanto as despesas totais representam sobre a Venda Bruta da farmácia.
      Portanto, José, venda bruta para nós, é a totalização de vendas da farmácia amparada no P.M.C (Preço Máximo ao Consumidor). Desta forma, ao partir deste parâmetro, sabemos o percentual médio de descontos concedidos sobre o P.M.C e padronizamos os parâmetros de despesas e C.M.V. também sobre a Venda Bruta para evidenciar um padrão que se torna comum a todos e que balizam os números do mercado. Como praticamente todo os ramos do varejo não possuem o tabelamento de preços (P.F e P.M.C) a maioria dos especialistas e profissionais comparam os indicadores financeiros sobre a venda líquida e o fazem também para farmácia, sem considerar esta especificidade que nosso ramo possui.
      Em média as despesas totais representam em média 22 a 28% da venda bruta de uma drogaria, se a mesma for de perfil tradicional de vendas, ou seja, que vende medicamentos de prescrição, similares, genéricos e perfumarias/correlatos. Quando se tratar de drogarias de perfil popular (ou seja, drogarias cuja participação dos medicamentos similares e genéricos superam os 60 a 65% da venda) as despesas totais representam em média 16 a 20% da venda bruta.

      É muito importante que haja esta padronização para que a estruturação e análise dos resultados financeiros tenha um padrão e esteja estruturada de forma correta. Espero que tenha esclarecido a sua pergunta e me coloco a disposição para sanar toda e qualquer dúvida sobre este e outros assuntos. Um grande Abraço!!

  4. Olá caro Cadri,

    Mas uma vez fico feliz em voltar.
    Queria saber como definir o pró-labore em uma empresa nova? Iremos abrir em março… me ajude!

    • Gerald,
      Se esta nova empresa é uma drogaria convencional (entenda-se tecnicamente como convencional, uma drogaria cuja participação de medicamentos genéricos e similares é inferior a 50% do montante de vendas) você precisa planeja-la para que as despesas totais não ultrapassem 22 a 28% da venda bruta e se for uma drogaria de perfil popular (perfil em que a participação dos medicamentos genéricos e similares ultrapassam os 50% do total da venda) o percentual das despesas totais sobre a venda não devem ultrapassar 16 a 20% da venda bruta. Com base nestes parâmetros Você saberá quanto destinar de Pró-labore, já que o valor destinado para tal fim não pode comprometer o limite máximo de despesas estabelecido. Gerald, a realidade do nosso mercado não permite que as despesas fixas numa drogaria convencional ultrapassem 15% da venda bruta, portanto, seu pró-labore precisa ser um valor que não permita que tais despesas sejam extrapoladas. O pro-labore é um valor compatível com o cargo de gestor (gerência), por esta razão precisa ser uma remuneração compatível com o mercado e proporcional ao porte da empresa em questão. Lembre-se portanto, que o Pró-labore jamais pode comprometer os parâmetros de despesas aqui apresentados e desta forma Você saberá sempre qual o pró-labore que a empresa pode permitir que Você apure.

  5. Cadri, bom dia!
    Estou impressionada com a qualidade dos vídeos apresentados! Conteúdo excelente!!!
    Seria demais poder estar em Goiás com vocês!
    Parabéns !!! Trabalho excelente!!! Vou continuar acompanhando vocês … Abraços… Saúde e paz para todos!

    • Olá Alessandra. Que bom que está gostando do conteúdo. Nosso objetivo é sempre compartilhar conhecimento com o mercado. Esperamos em breve tê-la em Goiânia conosco. Você ficará impressionada e maravilhada com a riqueza do conteúdo que teremos durante uma semana de evento.